Nosso Fórum

LAS VEGAS REVIEW 24/10/03

AINDA NA SELA

 

O Aerosmith toca para seus fãs, diz o guitarrista Joe Perry.

 

O guitarrista do Aerosmith, Joe Perry, diz que sempre procura tocar em Las Vegas não só porque sua família gosta de Vegas, mas também porque seus companheiros de banda são grandes fãs de Elvis.

"Pra mim é a mesma coisa. Elvis é Las Vegas," diz Perry.

O Aerosmith tocará no MGM hoje e no Sábado, com o Kiss (que está na sua "turnê de despedida" há anos) como banda de abertura. Nessa entrevista, Perry fala sobre sua admiração por Elvis, um possível show no casamento de Kid Rock, e, claro, pertencendo à banda a qual pertence, fala uma frase contendo a palavra "orgia".

Elfman: Você consegue sentir a presença de Elvis quando está aqui?
Perry: Com certeza. Você está brincando? É claro que sim. Muito disso (desse estilo de vida de celebridades) vem de se viver sua fantasia e seu sonho. Obviamente, as orgias de dez pessoas são coisas do passado, mas o resto --viajar em aviões próprios, voar pra lá e pra cá, e conhecer uma garota aqui, e sair ali, e conseguir um tour privado pela Estação Espacial-- a gente faz tudo isso. Parte disso é poder andar por Las Vegas, passear nesses corredores e encontrar Mike Tyson.

Elfman: Você chegou a encontrar Elvis antes de sua morte?
Perry: Não, infelizmente não.

Elfman: Eu vi Lisa-Marie aqui há poucas semanas.
Perry: Uma vez eu a encontrei, enquanto fazia compras em Santa Monica (Califórnia). Mas não foi nada, só estávamos na mesma loja.

Elfman: Kid Rock estava falando em ter o Aerosmith tocando em seu casamento, mas isso nunca foi confirmado.
Perry: Opa, traga um talão de cheques! Ah, eu não sei. Nós até poderíamos fazer algo como isso, se fosse a hora certa. Eu pedi ao Cheap Trick que tocasse na minha festa de aniversário e eles vieram e tocaram. Foi demais. Foi um dos melhores eventos dos quais me lembro. Foi uma grande honra tê-los lá.

Elfman: Esse é o lado bom em ser uma celebridade.
Perry: Você tá me gozando? Foi demais!

Elfman: Você já não está cansado de todos esses documentários sobre o Aerosmith? Você agüentaria mais um dia ouvindo sobre "o auge e a queda, o auge e a queda, drogas, blá blá blá"?
Perry: Ah é. Agora já está tudo estereotipado.

Elfman: Então essa é a continuação da despedida do Kiss...
Perry: Ah, eu não sei. (risos) Pra mim, parte da graça está em andar com eles quando estão todos maquiados. Você os vê no corredor e tem a impressão de que super heróis ganharam vida.

Elfman: Eles já tentaram maquiar você?
Perry: A gente fala sobre isso. Eles chegam e dizem, "Deixa eu passar isso na sua cara." A gente ri disso. Eles mesmos se pintam. Sempre foi assim. É coisa deles.

Elfman: Você já pensou em como é passar todos esses anos tocando com maquiagem?
Perry: Bom, pelo menos eles não têm de se preocupar com rugas.

Elfman: Da última vez que eu os vi num show, tinha pouco tempo que eu havia ido assistir a Madonna. E, ao contrário de vocês, ela não apresentou as músicas preferidas dos fãs. Fico imaginando que vocês já tocaram "Dream On" umas duas mil vezes.
Perry: Com certeza. Nós não temos o ego tão inflado a ponto de nos considerar superiores ao público.

Elfman: Uma coisa que eu notei é que vocês não apenas tocam as músicas antigas; vocês se entregam a elas. Steven (Tyler) estava pendurado numas cordas, e você estava dominando o palco, tocando com retornos e amplificadores - coisas que muitas bandas não fazem depois de 30 anos.
Perry: Bom, nós estávamos apenas satisfazendo o público. A gente não ensaia "Dream On". Essas músicas mais velhas não precisam de ensaio. E nós não tocamos pra nós mesmos. Tocamos pras pessoas que estão lá... Quero dizer, a gente toca músicas novas, mas também sabemos que muita gente ficaria desapontada se não ouvisse "Dream On" ou "Sweet Emotion".

Elfman: E ouvi dizer que vocês também vão tocar alguns de seus novos blues nos shows, é verdade?
Perry: Sim, nós tocamos algumas das músicas que estarão no novo disco. Acho que esse álbum vai surpreender muita gente... É o tipo de disco que as pessoas, pelo menos os nosso fãs, têm nos pedido há muito tempo. Eu sempre ouço: "Eu gosto das suas músicas novas, mas quando é que vocês vão gravar alguma coisa como os discos antigos?" ...Então ouvimos aquelas coisas velhas e nos influenciamos um pouco.

Elfman: O que mais aconteceu no processo de criação? Foi só você, Steven e os produtores?
Perry: Não, não fizemos nada no que se refere à idéia normal de nos enfiar numa sala e ficar tentando escrever canções. O que a gente fez foi tocar com a banda toda e juntar alguns riffs.

Elfman: Então se vocês tocavam juntos no processo criativo do novo disco, isso significa que vocês estão se dando bem, não?
Perry: Sim, os shows estão bons. Tocar com o Kiss tem sido ótimo. Além disso, fazer uma apresentação de uma hora e quinze minutos é um evento. Nós conseguimos fazer um set legal e as pessoas não param um minuto.

Entrevista feita por Doug Elfman e publicada no jornal americano Las Vegas Review Journal de 24 de Novembro de 2003.