WASHINGTON TIMES - 31/03/04
HONKIN REIVINDICA RAIZES DO BLUES DO AEROSMITH
Eu gosto de pensar que "Honkin' On Bobo" é a penitência do Aerosmith por "I Don't Want To Miss a Thing" e todas as outras baladas sem-vergonha que a banda lançou nos últimos 15 anos.
"Bobo" é um álbum de blues gloriosamente sórdido vindo do lado do cérebro do Aerosmith que não se preocupa com singles no top 40 e garotinhas adolescentes.
"Bobo" não é o blues do seu avô. É o blues como se tivesse sido refratado pelo prisma do rock britânico: Stones, Yardbirds, Zeppelin, Humble Pie. É um boogie acelerado, super-amplificado, com Steven Tyler gemendo o mais alto que sua garganta agüenta.
Tem clássicos do blues aqui: "Baby, Please Don't Go" de Big Joe Williams, "Road Runner" de Bo Diddley e "I'm Ready" de Willie Dixon. Tem até uma versão masculina, corajosa do hit de Aretha Franklin "I Never Loved a Man (The Way I Love You)".
A banda também ostenta seus princípios puristas com um aceno obscuro a Little Walter ("Temperature", que conta com o antigo pianista de Chuck Berry, Johnnie Johnson) e um trio de músicas do ótimo Mississipi Fred McDowell, incluindo o blues country gospel de "Jesus on the Mainline."
O guitarrista Joe Perry cuida dos vocais na ousada e sinistra "Back Back Train." "You Gotta Move" leva a batida de Bo Diddley, não soando nem como a original de McDonwell nem como a cover dos Stones de 1971.
O Aerosmith também achou uma preciosidade do Fleetwood Mac na era do Peter Green, "Stop Messin' Around", novamente com o Sr. Perry nos vocais.
A única inédita aqui, "The Grind", escrita em conjunto com o produtor Marti Frederiksen, ameaça cair no típico lugar comum do Aerosmith recente, mas dá um jeito de não fugir muito do clima do resto do disco.
"Honkin' On Bobo" é a razão do Aerosmith ter nascido. Levou 30 anos dos caras de Boston, mas não poderia ter vindo em melhor hora.
Resenha feita por Scott Galupo e publicada no jornal americano The Washington Times de 31 de Março de 2004.












