AMES TRIBUNE - 05/05/04
SHOW DO AEROSMITH NAO E SEMPRE A MESMA COISA
Foi uma boa Steven Tyler ter tido uma longa passarela passando bem no meio do Hilton Coliseum e mais duas ladeando o palco principal. Se não houvesse lugar para pular, correr e provocar milhares de pessoas a gritar enlouquecidas por ele, o enérgico líder do Aerosmith correria o risco de implodir.
Excursionando para divulgar seu último lançamento de estúdio, "Honkin' on Bobo", Tyler e os rapazes abriram com "Toys in the Attic" no fim da passarela e foram desfilando todos os seus sucessos.
Você jamais saberia que eles vêm tocando algumas dessas músicas há uns 30 anos, mas a experiência com o público realça a energia juvenil.
Tyler dá aos fãs o que eles querem: é um ótimo cantor que atrai olhares de mulheres com a metade de sua idade. Pode parecer estranho, mas não é.
O guitarrista Joe Perry ainda pendura sua guitarra lá em baixo, deixa o cabelo cair no rosto e curva as costas para trás durante um solo. Se fosse qualquer outra pessoa, suas ações poderiam ser taxadas como influenciadas por alguém ou caricatas. Acho que ser membro do Rock and Roll Hall of Fame tem seus privilégios.
Num show do Aerosmith, os Toxic Twins são os que chamam mais a atenção, deixando para o guitarrista Brad Whitford, para o baixista Tom Hamilton e para o baterista Joey Kramer a tarefa de prover uma base sólida.
Na maior parte do tempo Whitford mostra-se calmo, mas detona no solo de "Dream On", um dos meus aero-momentos prediletos. E alguém consegue realmente sentir o clima de "Sweet Emotion" sem o baixo de Hamilton?
Antes de o Aerosmith subir ao palco, os veteranos do Cheap Trick tocaram uma lista de clássicos misturados a algumas canções novas.
As duas bandas formam um bom time. Ambas têm um bom tempo e recusam se aposentar. O vocalista calmo e de lábios finos Robin Zander é o contraponto perfeito para a bocarra do irrequieto Tyler.
Se não fosse pelas guitarras com um monte de braços de Rick Nielsen, eu não teria conseguido reconhecer o guitarrista.
Esses dois gigantes do rock clássico mostraram porque lotam arenas ano após anos e porque todo fã de rock tem pelo menos um cd de cada banda em sua coleção.
Provavelmente a melhor definição foi dada por um cara no estacionamento, depois do show - com o indicador e o mindinho levantados nas duas mãos, enquanto fechava o resto da mão, ele berrou, "é muito rock para uma mão só!"
Não é preciso dizer mais nada.
Resenha escrita por Matt Neznanski e publicada no jornal americano The Ames Tribune do dia 5 de Maio de 2004.












