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WISCONSIN - 07/05/04

AEROSMITH ENVELHECEU MELHOR QUE A MAIORIA

As bandas de hard rock costumam envelhecer tão bem quanto uma caixa de leite aberta ao sol. Classic Rock, um termo ultrapassado do rádio, pode soar esfarrapado ao vivo - assim como os músicos, com estômagos imensos, caçando dinheiro num circuito nostálgico.

O Aerosmith provou ser uma surpreendente exceção à regra.

No Kohl Center na última Terça, a banda estava em forma, providenciando um início agitado para seus tons irreconhecíveis e oferecendo muitos blues-rock de raiz. Eles também sabem entreter. O líder Steven Tyler, agora com 56 anos, provou ter mais habilidade com o público do que uma dúzia de hitmakers juntos.

O plastificado Tyler subiu ao palco com confiança e movimentos sexuais. Ele mantém o Aerosmith viável para uma turnê em grandes arenas.

O enérgico show de uma hora e 45 minutos foi concebido para manter os cinco integrantes, acompanhados por um tecladista, o mais próximo possível do público.

Num raro concerto de grande porte sem telões em volta do palco, o Aerosmith entrou por uma porta no fundo do palco principal. Eles andaram até uma plataforma menor no centro da arena, onde abriram com "Toys in the Attic", de 1975, e com "Love in an Elevator", do final dos anos 80. (É preciso muito jogo de cintura para tocar a insípida "Love in an Elevator", mas Tyler dá conta do recado sem parecer a banda de mentirinha Spinal Tap.)

Havia uma passarela a partir do palco principal e Tyler tirou vantagem desse espaço extra, batendo nas mãos dos fãs ou incitando a platéia a cantar junto. Ele quase nunca usou o TelePrompter, improvisando letras em vários momentos.

O setlist do Aerosmith fugiu sabiamente de vários hits da MTV, como "Dude (Looks Like a Lady)" e "Janie's Got a Gun", em favor do material de seu álbum de covers de blues, "Honkin' on Bobo". Canções do novo CD, especialmente "Stop Messin' Around" cantada pelo guitarrista Joe Perry, funcionaram muito bem junto com os favoritos do Aerosmith.

Cerca de 9.500 fãs, muitos deles quarentões, foram ao show. Eles são freqüentadores de shows que ainda têm sua cópia em vinil de "Toys in the Attic". Quando Tyler tocou sua gaita, um fã mais entusiasmado ao meu lado tocou -vocês deviam ter visto- uma gaita imaginária.

Sons de mais de trinta anos, como "Dream On" e "Sweet Emotion", também foram destaque. E, sim, a banda sabe tirar proveito da devoção de seus fãs. Como agora só alguns freqüentadores de shows carregam isqueiro, o Aerosmith vende uma pequena "asa piscante" que fica brilhando por 5 dólares.

O Aerosmith aumentou seu legado e o Cheap Trick, que fez o show de abertura, também. É difícil arranjar uma banda de abertura que consegue tocar "I Want You to Want Me", "Dream Police" e "Surrender" num show maravilhoso.

 

 

 

Resenha feita por Tom Alesia e publicada no jornal americano Wisconsin State Journal, de 7 de Maio de 2004.