INDIANAPOLIS STAR - 04/06/04
STEVEN TYLER TEM O BLUES
O novo álbum de blues do Aerosmith paga um grande tributo tanto à Invasão Britânica dos anos 60 quanto aos americanos que escreveram as canções décadas antes disso.
Steven Tyler não descobriu "Baby Please Don't Go" por Big Joe Williams, o músico do Mississippi que gravou a canção em 1935.
Tyler conheceu "Baby Please Don't Go" -atual single e clipe do Aerosmith- por causa do Them, uma banda dos anos 60 liderada por Van Morrison.
O adolescente Tyler achou a rendição do Them numa loja de discos de Nova York, onde ele também conheceu o Rats e o Pretty Things.
Esse grupos britânicos idolatravam e direcionaram uma nova atenção para os veteranos do blues, como Howlin' Wolf e John Lee Hooker. Os Rolling Stones e os Animals lideraram o moviemnto.
"Essas foram as músicas que mudaram minha vida", diz Tyler, num entrevista pelo telefone. "Eu ouvi e disse, 'O que é isso?' Eles eram tão diferentes das músicas clássicas que meu pai tocava, do que o rádio tocava e do que a América estava fazendo."
Quando Tyler conheceu Joe Perry em 1969, eles estavam em bandas diferentes, mas exploravam o mesmo tipo de blues-rock.
O grupo de Tyler, Chain Reaction, tocava "Train Kept A-Rollin'," uma canção que os Yardbirds adotaram de Tiny Bradshaw. O grupo de Perry, The Jam Band, impressionou Tyler com sua versão de "Rattlesnake Shake", do Fleetwood Mac.
"É daí que o Aerosmith vem," diz Tyler. Adorávamos as improvisações. Era música feita com o peso que eu achava que elas mereciam. Se você conseguisse tocá-las com sua banda, bem, você era melhor que qualquer outra banda."
E de todas as performances instrumentais da carreira de 31 anos do Aerosmith, Tyler diz que uma de suas favoritas é a performance de "Baby Please Don't Go".
"Nós fazemos uma coisa no meio em que (o baixista) Tom Hamilton dá uma levantada," diz Tyler. "Eu chamo isso de 'levantar o peso'. Você está uma oitava acima, fica um tempo chegando lá, fica lá por 30 segundos ou um minuto e a coisa vai ficando insana."
O novo álbum, "Honkin' on Bobo", também tem os clássicos "Eyesight to the Blind" (Rice "Sonny Boy Williamson" Miller, com jeito de The Who) e "You Gotta Move" (Mississippi Fred McDowell com jeito de Stones).
Na terça-feira, o Aerosmith irá tocar no Verizon Wireless Music Center pela quarta vez em muitos anos. Tyler diz que "Honkin' on Bobo" -que tem uma composição original em 12 faixas- ajudou a banda a determinar seu próximo passo.
"Acendeu aquela chama de 'temos de escrever esse tipo de música nós mesmos'," diz ele. "Em vez de ficarmos muito preocupados com o refrão e esquecer o sentimento."
Deixando de lado o que for que vem por aí, a banda de Boston é dona da mais monumental reviravolta da história do rock.
O Aerosmith estava praticamente esquecido no começo dos anos 80, quando o abuso de certas substâncias drenou toda a criatividade da banda e Perry saiu da banda, seguido pelo guitarrista Brad Whitford. Mas no final da década, os cinco, Tyler, Perry, Hamilton, Whitford e o baterista Joey Kramer, estavam de novo juntos e sóbrios.
Em 1998 a super balada "I Don't Want to Miss a Thing" deu ao grupo seu primeiro single nº 1. O Aerosmith toca nas rádios de hard rock até as de pop da grande indústria, passando pelas de velhos blues, e a NFL (National Footbal League - Liga de Futebol Norte-Americana) parece não conseguir fazer um grande evento sem convidar a banda para tocar pelo menos uma ou duas músicas.
Nesse ponto, Tyler acha graça e também acha frustrante quando seu trabalho é descrito de forma resumida e superficial. O cantor ri da referência aos "cinqüentões Tyler e guitarrista com jeitão de Keith Richards Perry."
Pessoalmente, ele acha satisfação numa ainda rigorosa agenda de turnê. É uma viagem, ele diz, apresentar-se num concerto com cobertura de satélite no meio de uma arena (ou na grama, no caso do Verizon Wireless Music Center).
"Estamos lá sentindo o cheiro de suor e maconha e vendo as pessoas chorando e vomitando," diz Tyler. "A maioria das pessoas ganha um relógio de ouro no final de seus 30 anos. Nós ganhamos um noite após noite após noite após noite."
Matéria escrita por David Lindquist e publicada no jornal americano Indianapolis Star de 4 de Junho de 2004.












