THE STAR LEDGER - 03/07/04
AEROSMITH SE DA MELHOR COM MATERIAL ANTIGO NO PNC BANK ARTS CENTER
No meio do público, no corredor central, erguia-se um pequeno palco, com um set de bateria, onde a banda iniciou o espetáculo tocando duas canções com os integrantes tão perto uns dos outros que provavelmente não tocavam tão grudados assim desde que começaram a carreira nos bares de Boston, há mais de três décadas.
Foi uma abertura teatral, quando Steven Tyler, Joe Perry e cia. se juntaram para tocar seu clássico dos anos 70 "Walk This Way" num clima de banda de garagem e uma versão sedutora do sucesso pop dos anos 90, "Love in an Elevator'.
Inevitavelmente, o show rolou abaixo a partir daí, literalmente e muitas vezes figurativamente. Uma vez que o Aerosmith voltou para o palco principal, houve uma batalha imensa entre as canções cruas, porém artísticas dos anos 70 e os sucessos comerciais do fim dos anos 80 e dos anos 90, cheios de maquiagem. No meio da batalha havia espaço para algumas músicas do novo disco da banda, cheia de covers de blues, "Honkin' on Bobo."
Para confirmar, a segunda geração de Mick-e-Keith, o cantor Tyler e o guitarrista Perry --ambos na casa dos 50-- pareciam imunes ao tempo, os ex "Gêmeos Tóxicos" estavam tão lisos quanto limpos. A data original do show no PNC foi adiada em 10 dias por causa de problemas que Tyler teve em sua garganta; mas ele se recuperou bem, e se movia como se houvessem passado óleo em suas juntas. Também esbanjando uma saúde de ferro, Perry usou suas maravilhosas guitarras, trocando-as com tanta freqüência quanto Britney Spears troca de roupa nos palcos.
A despeito do cinismo do material pop do Aerosmith (alguns deles escritos por "doutores da música" fora da banda), a banda levou essas músicas para o palco. Nada poderia melhorar as vãs "Jaded", "The Other Side" e "Livin' on the Edge," mas a relativa clássica "Cryin'" --basicamente uma canção dos anos 60 sobre garotas, mas com guitarras altas-- mereceu um coro massivo do público. "Rag Doll" também ficou mais atraente depois de a banda ter tirado todas as frescuras da canção.
O Aerosmith parece ser muito mais o Aerosmith quando toca os covers clássicos que ajudaram a tornar a banda conhecida: "Train Kept a Rollin'," "Big Ten-Inch Record," "Mother Popcorn" e "Walking the Dog." Do novo disco eles tocaram a brilhante "Roadrunner," junto com vários belos, senão assustadoramente "cantantes", solos de guitarra de blues de Perry. Infelizmente o "Baby, Please Don't Go" da banda parece mais com Ted Nugent do que com John Lee Hooker; e, estranhamente para o Aerosmith, a cover surpresa de "Honky Tonk Woman" dos Stones foi praticamente uma homenagem.
Os pontos altos da noite foram os clássicos próprios da banda dos anos 70, como "Mama Kin" e "Draw The Line", tocados com tanta virilidade que poderia fazer um grupo com a metade da idade do Aerosmith delirar com grande orgulho. Até mesmo o velho hino da banda, "Dream On" --o "Stairway to Heaven" do grupo, quando Tyler foi para o público novamente-- soava quase como nova em folha.
Abrindo para o Aerosmith estava o grupo feminino de Long Island/New Jersey, Antigone Rising. Soando parecido como um Bad Company liderado por Janis Joplin, essa banda toca rock de arena com um clima de quando ainda se podia fumar dentro dos estádios. O mulherengo Tyler pegou a cantora da banda, Cassidy, para uma dancinha durante "Walk This Way", certamente um sonho a se tornar realidade para uma garota de Jersey cujas diversões favoritas na adolescência, ela ressalta, eram "fumar cigarros, beber cerveja e ouvir Aerosmith."
Resenha feita por Bradley Bambarger e publicada no jornal americano The Star-Ledger de 3 de Julho de 2004.












